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Personalidades da Ilha de Itaparica

Trajetórias de moradores, educadores, pesquisadores, artistas e lideranças que transformaram experiências vividas na ilha em conhecimento, memória e contribuição coletiva. A série começa com Silvano Sulzart Oliveira Costa.

Capa da dissertação Docência nas Águas, com uma embarcação sobre o mar
Perfil em destaque Silvano Sulzart Oliveira Costa É o Secretário de Educação do Município de Vera Cruz. Ele é professor, pedagogo e pesquisador das relações entre educação, memória, diversidade cultural e cultura das águas.
Vera Cruz · Ilha de Itaparica · Bahia

Uma vida de educação atravessada pelo mar

Nascido e criado em Vera Cruz, Silvano transformou lembranças da infância, experiências escolares e anos de trabalho na educação em uma pesquisa dedicada à Ilha de Itaparica. Sua trajetória aproxima sala de aula, mar, travessias, pesca, religiosidades, cultura popular e os saberes construídos pelas comunidades.

1979Nascimento em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
2000Ingresso no magistério público municipal de Vera Cruz.
2003Conclusão da graduação em Pedagogia.
2015Dissertação de mestrado defendida na UNEB.
Docência nas águas Maritimidade Memória autobiográfica Diversidade cultural Travessias Educação em Vera Cruz
Infância, família e formação na ilha

Silvano nasceu em 27 de junho de 1979, no antigo Hospital Maria Amélia Santos, em Vera Cruz. Filho de Joana Alves de Antão e Antônio de Oliveira Costa, cresceu em uma família ligada ao trabalho, à agricultura e ao mar. Viveu parte da infância em Mar Grande e também na comunidade rural da Juerana.

Estudou em escolas públicas e descreve uma formação marcada por caminhadas longas, transporte difícil, classes multisseriadas, leitura de jornais, revistas, histórias em quadrinhos e da Bíblia. Ainda jovem, ajudava professores em turmas infantis e de Educação de Jovens e Adultos, apoiando moradores na leitura, na escrita de cartas e nas atividades escolares.

No curso de Magistério, encontrou professores que estimularam a leitura, as visitas a museus, o estudo da realidade local e aulas nos manguezais. Essas experiências fortaleceram sua decisão de seguir a profissão docente.

Da sala de aula à gestão e à formação de professores

Aos 18 anos, iniciou uma experiência de estágio em uma turma da antiga 4ª série. Em janeiro de 2000, foi aprovado em sexto lugar no concurso público de Vera Cruz e, em abril, começou a atuar na Escola Nossa Senhora de Guadalupe. No mesmo ano, ingressou no curso de Pedagogia, conciliando trabalho e estudo.

Depois da graduação, concluída em 2003, exerceu funções de professor, diretor escolar e coordenador pedagógico. Buscou formação em gestão e psicopedagogia, participou da formação de educadores e, a partir de 2006, também viveu a experiência de lecionar em curso superior de Pedagogia.

Em 2009, foi convidado a atuar no departamento de avaliação educacional e formação continuada da Secretaria Municipal de Educação de Vera Cruz e também assumiu a Diretoria de Ensino, trabalhando com jornadas pedagógicas, diretores, coordenadores e práticas de ensino.

A pesquisa “Docência nas Águas”

Após diferentes tentativas de ingresso no mestrado, Silvano foi aprovado no Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da UNEB. A dissertação Docência nas Águas: diversidade cultural, maritimidade e travessias na Ilha de Itaparica foi defendida em 2015.

A investigação reuniu pesquisa autobiográfica e entrevistas narrativas com oito professores da Educação Básica. O trabalho acompanhou docentes que viviam o cotidiano da travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, analisando o deslocamento pelo mar, as condições de trabalho, a diversidade cultural e os vínculos com as comunidades.

Na pesquisa, a travessia aparece como experiência física e também simbólica. O mar não é apenas caminho: ele organiza horários, afetos, medos, aprendizagens, planejamentos, relações profissionais e modos de compreender a escola.

Cultura das águas e contribuição para a memória local

A obra apresenta a ideia de “cultura das águas” para reunir práticas, conhecimentos e símbolos ligados à pesca, à mariscagem, às marés, às embarcações, às religiosidades, às festas comunitárias e à vida cotidiana próxima ao mar.

Ao registrar memórias de Mar Grande, Jaburu, Juerana, Tairu e de outras comunidades, Silvano preserva experiências que frequentemente ficam fora dos documentos oficiais. Sua escrita mostra que a história da ilha também está nas trajetórias escolares, nos caminhos até a escola, nas travessias de lancha e nos saberes transmitidos por pescadores, famílias e educadores.

A dissertação também chama atenção para a necessidade de práticas pedagógicas e políticas públicas capazes de reconhecer a diversidade cultural da Ilha de Itaparica e valorizar os professores que trabalham em territórios costeiros e insulares.

1979Nasce em Vera Cruz e cresce entre Mar Grande, Jaburu, áreas rurais e o cotidiano das águas.
2000É aprovado em concurso público e inicia a carreira efetiva na educação municipal.
2003Conclui Pedagogia e amplia a atuação em gestão, coordenação e formação docente.
2009Atua com avaliação educacional, formação continuada e Diretoria de Ensino em Vera Cruz.
2012Ingressa no mestrado da UNEB e direciona a pesquisa para a docência na Ilha de Itaparica.
2015Defende a dissertação que reúne autobiografia, educação, maritimidade e diversidade cultural.

Perfil elaborado a partir da autobiografia e dos dados apresentados na dissertação defendida em 2015. A seção descreve a trajetória registrada nessa fonte e não presume acontecimentos profissionais posteriores.

Utilidade pública · calendário 2026

Defeso: o tempo de o mar respirar

Respeitar o período de defeso protege a reprodução das espécies, fortalece a pesca artesanal e ajuda a garantir alimento e renda para as próximas gerações de Vera Cruz.

Não é pausa sem motivo. É reprodução, renovação e futuro.

O que é o defeso?

É o período em que a pesca ou a mariscagem de determinadas espécies fica proibida ou controlada para proteger fases importantes do ciclo de vida, como reprodução, crescimento e recrutamento dos animais. Cada espécie possui datas e regras próprias.

  • Não capture nem retire do ambiente as espécies protegidas.
  • Não compre pescado sem origem regular durante o período.
  • Comércio e estoque só podem ocorrer nas situações autorizadas e devidamente declaradas.
  • Compartilhe o calendário com pescadores, marisqueiras, comerciantes e consumidores.
Datas oficiais

Calendário do defeso em Vera Cruz

Os cartões são destacados automaticamente quando a data atual estiver dentro de um dos períodos de 2026.

Camarões Rosa, sete-barbas e branco. Calendário correspondente ao trecho do litoral onde está Vera Cruz.
Lagostas Lagosta-vermelha, lagosta-verde e lagosta-pintada.
1º nov a 30 abr
Robalo Proteção nas águas interiores e no litoral abrangido pela norma.
Garoupa-verdadeira Espécie protegida em águas jurisdicionais brasileiras.
1º nov a 28 fev
Peixes recifais Caranha, sirigado, garoupa-de-são-tomé e badejo-amarelo.
Caranguejo-uçá: andadas de 2026 Durante as andadas reprodutivas ficam proibidos captura, transporte, beneficiamento, industrialização e comercialização.
Consumidor também protege o mar

Antes de comprar, pergunte a origem do pescado. Durante o defeso, prefira outras espécies liberadas e nunca estimule a venda clandestina.

Ver calendário oficial 2026
Encontrou pesca ou comércio irregular? Denuncie ao INEMA. 0800 071 1400 · denuncia@inema.ba.gov.br
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